Região de Artur Nogueira tem maior nº de demissões na indústria em 10 anos no primeiro semestre

A regional do Ciesp em Campinas atende 500 empresas instaladas em Águas de Lindóia, Amparo, Artur Nogueira, Conchal, Estiva Gerbi, Holambra, Hortolândia, Itapira, Jaguariúna, Lindóia, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Paulínia, Pedreira, Santo Antônio de Posse, Serra Negra, Sumaré e Valinhos. Entre elas, há 58 multinacionais e 442 nacionais, que faturam, em média, R$ 37 bilhões por ano.

A indústria da RMC (Região Metropolitana de Campinas) ) registrou o pior índice de geração de emprego dos últimos dez anos em um primeiro semestre. De acordo com dados do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp-SP), de janeiro a junho deste ano, foram fechados 2,8 mil postos de trabalho, número mais alto desde 2009, quando houve demissão de 6,5 mil funcionários no período.

Segundo os dados disponibilizados pelo Ciesp, de 2010 a 2019, a maior abertura de postos de trabalho no primeiro semestre aconteceu em 2011, com 8 mil pessoas contratadas. Na contramão, antes do novo recorde histórico do período registrado neste ano, a pior geração de emprego na indústria havia sido em 2016, com a queda de 2,1 mil vagas.

A regional de Campinas também fechou o mês de junho com saldo negativo. Ainda de acordo com os dados do órgão estadual, foram fechados 1,3 mil postos de trabalho. No acumulado dos últimos 12 meses, houve uma queda de 2,5 mil postos de trabalho.
O número de junho mantém a tendência de fechamento de postos no mês. Desde 2012, a indústria do município não termina com saldo positivo no período, quando aconteceram 550 contratações.

O setor que mais contribuiu para as demissões no primeiro semestre de 2019 foi produtos diversos (-23,24%), seguido de móveis (-19,05%), artefatos de couro, calçados e artigos para viagem (-10,94%) e produtos de madeira (-10,88%).

O economista Roberto Brito de Carvalho afirmou que a crise gerou na indústria uma desconfiança em relação à melhora da economia e forçou as empresas a fazerem grandes reestruturações, como medidas importantes de restrição de empregos.

“Há um desemprego cíclico gerado a partir da estagnação econômica. É um número preocupante, por conta da crise permanecer no início do ano, a gente esperava um número ruim, mas esse número de demissões faz um alerta”, explicou o especialista, que é professor da PUC-Campinas.