Receita para conquistar um homem

Receita para conquistar um homem

Boca da Brigit Bardot
Olhos da Sofia Loren
Corpo da Vênus de Boticelli
Um leve ar de Medéia
Um quê de Lolita

Na rua, use sempre salto alto e espartilhos.
Andar a esmo e respirar profundamente é para as mortais. Você é uma mulher.

Na casa dele, use sempre camisolas esvoaçantes, prepare iguarias inimagináveis com a ponta dos dedos, (sempre com a ponta dos dedos), e claro, jamais, mas jamais utilize o banheiro dele. Melhor ainda, jamais utilize qualquer banheiro que seja. Mulher não tem refluxo, gases ou soluço. No máximo um leve suspirar de enfado, de prazer ou exasperação. Mas que seja baixinho, rouco e claro, sensual.

Na cama, realize todos os desejos dele, mas com cara de espanto e surpresa. Afinal, segundo a fantasia dele, você é a quinta maravilha do mundo, uma ilha no sul do Pacífico jamais habitada, visitada e até mesmo vista pelo olho humano.

Portanto, seja comedida nos gritos e se por acaso tiver um orgasmo, faça de conta que é o primeiro da sua vida e que aconteceu somente e tão somente por causa dele.

Nem preciso dizer que todo o seu corpo deve ser uma espécie de templo macio e rosado. Sim, você pode ter 25, 30, 40 anos, mas sua pele, genitália e todo o resto deve ter a aparência e o frescor da Brookie Shields no filme A Lagoa Azul.

Prepare o drink dele com maestria, faça-lhe uma massagem nas costas e ouça suas grosserias e comentários machistas com um sorriso no rosto. Afinal ele é o seu homem e mesmo que o seu cérebro, mente e coração sejam imensamente superiores aos dele, você ainda precisa de um pra chamar de seu, não?

Por fim, seja tudo aquilo que ele sonhou desde a mais tenra infância. Inteligência e opinião apenas em doses homeopáticas, quase invisíveis que é pra não ferir a auto estima de dois centímetros do moço.

Rodopie pela casa na ponta dos pés , (as unhas sempre feitas, claro), cantorole em voz de soprano a canção preferida dele, tome sempre e somente, metade da taça do vinho e depois…

Bom e depois se jogue da sacada do prédio porque francamente, se você se prestou a tudo isso só para agrada-lo, é bem mais útil pro mundo você virar patê de ameba na calçada…

Beatriz Aquino, graduada em Publicidade e Propaganda e Artes Cênicas. Atuou durante anos em consultoria internacional. Autora dos livros Apneia (Editora Scenarium) e A Savana e Eu (Editora Penalux) escreve sobre crônicas, contos, poesias e textos de opinião sobre diversos assuntos. Atriz e escritora. Às vezes mais escritora que atriz. Mas no fundo só quer ser poeta mesmo. Mais Feliniana que Helênica, às vezes escreve com a bílis, às vezes com a ponta da língua. Pode ser doce. Pode ser ácida. Pode ser tudo. Mas não quer ser nada. No final das contas é só uma mulher que sente e escreve. Ou uma mulher que escreve e sente. Deu pra entender? Se não, melhor ainda.