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Mãe acusa Hospital Bom Samaritano de negligência

Negligência no Hospital Bom Samaritano

Foram quatro dias de peregrinação para conseguir atendimento adequado.

A família de Márcio Gomes da Silva Júnior, de 17 anos, reclama de negligência e de mau atendimento ao jovem, que teve rosto cortado por estilhaços de vidro no dia 19 de novembro. Ele foi levado para o Hospital Bom Samaritano (HBS), de Artur Nogueira.

Segundo a mãe, Andréa de Souza, de 35 anos, Márcio estava ajudando a desmontar o box do banheiro quando ele estourou e machucou o rapaz.

A família correu para o hospital mais próximo, no caso, o pronto socorro do HBS. O adolescente foi examinado por um médico que mandou desinfetar a área e deu quatro pontos no corte.

“Pedi para que o médico tirasse um Raio X ou outro exame mais específico para ver se não tinha ficado nenhum caco, porque o nariz do meu filho ainda sangrava muito. O médico disse que não era necessário, se houvesse, seriam micros cacos e sairiam sozinho”, conta Andréa.

Andréa ainda disse que o médico não receitou nenhum medicamento e fez a liberação do adolescente. “A partir dai começou um tormento”, revela.

De acordo com Andréa, seu filho não dormia por causa da dor. Ela conta que o nariz do garoto não parava de sangrar  e ainda saia coágulos de sangue toda vez que ele soava o nariz.

A busca por atendimento

Na quinta-feira (20), a noite, a família tentou atendimento no pronto socorro de Holambra,  porém não conseguiram passar pelo médico. O atendimento estava parado por haver somente um médico de plantão com duas emergências.

No dia seguinte (21) Márcio se queixava de muita dor e, conforme a mãe, dizia que parecia ter algo no nariz. A família foi para o HBS novamente.

“Pensei que, por já terem atendido primeiro, iriam tentar resolver. Não tiraram o Raio X e o médico não colocou nem a mão. Ele disse que la não tinha os materiais necessários para poder olhar dentro do nariz, muito menos para tirar um caco, caso tivesse mesmo”, relata.

Andréa conta que o médico  perguntou se estavam de carro e orientou para irem até Campinas e buscar atendimento no Hospital Mário Gatti ou Hospital Ouro Verde. O médico disse que  lá eles iriam atender. “Ele nem se quer fez um encaminhamento”, explica Andréa.

A família voltou para o carro e foram para o Hospital Mário Gatti, em Campinas. Depois de duas horas de espera, foram atendidos. “Fomos muito mau atendidos. Atendentes, enfermagem e médico muito mal-educados e com má vontade. Fomos tratados como se fossemos bichos e não pessoas. Isso porque pagamos impostos e temos direto ao menos um minimo de respeito”, desabafa.

Ao ser chamados na sala do médico, eles explicaram o que aconteceu, mas o médico que atendeu nem colocou a mão. Segundo Andréa, o médico disse que, se fosse caco, não apareceria no Raio X. Mas ia fazer para não falar que não fez. Foi feito Raio X e realmente não apareceu. Andréa pediu que fizesse algum exame mais detalhado porque tinha algo no nariz de seu filho. Então o médico disse que não tinha o que fazer, era só para observar e receitou um remédio. O médico afirmou que se fosse caco o corpo expulsava.

A família voltou para casa às 3h, já de madrugada, nada resolvido.

Depois de quatro dias, a família consegue atendimento

Na manhã seguinte, sábado  (22), foram tentar atendimento no hospital Walter Ferrari, em Jaguariúna. Lá o adolescente foi atendido por uma doutora. Andréa expõe que ela foi muito atenciosa e logo ficou preocupada com o caso.

De acordo com a mãe do menino, a médica tentou ver com o aparelho de ouvido, mas sem sucesso. Ela então disse que iria pedir uma tomografia. Porém, por ser outra cidade, eles poderiam negar-se a fazer. A médica fez o pedido enfatizando que deveria ser de graça.

Através da médica, a família conseguiu o exame mais detalhado. A mãe explica que o exame demorou, mas ficaram  até o apuração ficar pronta.

“Mesmo com a mudança de plantão, a médica que assumiu o caso também foi muito atenciosa e prestativa. No hospital Walter Ferrari de Jaguariúna fomos muito bem atendidos. Com exceção de uma enfermeira que tirou sarro, falou com deboche porque tínhamos conseguido essa tomografia por sermos de outra cidade”, afirma Andréa de Souza.

O resultado do exame apontou que Márcio Júnior tinha algo no nariz. A médica encaminhou o caso para Unicamp, para que ele pudesse ser avaliado por um otorrino.  O rapaz entrou na fila para internação e depois de algumas horas surgiu a vaga.

Chegando na Unicamp, a equipe médica constatou que o adolescente tinha mesmo um caco de vidro dentro do nariz. O pedaço de caco de vidro cortou o rosto e entrou dentro do nariz.

Segundo os médicos, no local onde o fragmento de vidro se  encontrava já estava infeccionado.

“Enfim conseguimos resolver o caso do meu filho. Ele esta bem agora. Mas não posso deixar isso passar batido, pois poderia ter acontecido algo pior. Tudo  isso por negligência médica, falta de amor no atendimento, falta de material”, desabafa a mãe.

Negligência no Hospital Bom Samaritano

Negligência no Hospital Bom Samaritano

Negligência no Hospital Bom Samaritano

Negligência no Hospital Bom Samaritano

 

Outros casos na cidade

A equipe do HOJE tem recebido diversas denuncias sobre o mau atendimento no Hospital Bom Samaritano. Inclusive casos de pessoas que morreram.

Alguns casos foram citados na Câmara Municipal por alguns vereadores.  Os parlamentares protocolam requerimento pedindo informações sobre mau atendimento do hospital.

Tem aumentado consideravelmente o número de reclamações aos gabinetes dos vereadores de Artur Nogueira, sobre o atendimento do HBS.

O outro lado

Nossa equipe entrou em contato com o Hospital Bom Samaritano, Hospital Mario Gatti e prefeitura. Até o momento do fechamento desta reportagem não tivemos resposta. Caso respondam, será incluído nesta matéria.

Rodrigo Chagas é graduado em Jornalismo pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), Pós-Graduado em Webjornalismo e também Finanças pela Faculdade Sul Mineira (FASUL). Possui certificação em investimentos pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (AMBIMA). Atualmente estuda Teologia na Faculdade de Teologia (FAT), no Centro Universitário Adventista de São Paulo, (UNASP). É especialista em atuação comercial. Dispõe ampla vivência em gerenciamento de grandes contas PF e PJ e também com gestão de pessoas. São 14 anos trabalhando em empresas de grande e médio porte em áreas administrativas, financeiras, assessoria de comunicação, riscos de crédito e produtos. Atualmente é Editor Chefe do portal de notícias Artur Hoje. É casado com a Tatiane e pai do Davi.