HOJE é dia das mulheres não se calarem

HOJE é dia das mulheres não se calarem

“A cada 15 segundos uma mulher cai da escada, escorrega no banheiro ou tropeça no tapete. E a cada uma hora e meia uma mulher não sobrevive para contar a próxima desculpa”. Globo, ONU Mulheres.

 Eu poderia escrever um texto “bonitinho” sobre o dia da mulher, mas optei em trazer uma reflexão que pode vir a ser muito mais relevante. A frase com a qual eu comecei, foi de uma campanha realizada em 2015 da ONU Mulheres, em parceria com uma emissora de televisão, acredito que eu não preciso comentá-la porque  já fala por si só.

Hoje é o dia em que as redes sociais estarão repletas de mensagens enaltecendo o Dia Internacional da Mulher, homenagens sinceras a parte, temos por trás de belas palavras dados sobre a violência doméstica e o feminicídio, que infelizmente também merecem destaque.

O feminicídio é uma forma qualificada dentro do homicídio, trata-se de um assassinato pela condição de ser mulher. Diferente deste, a violência contra mulher se define de várias formas, podendo ser física, psicológica, verbal, sexual entre outras, esta por sua vez, não necessariamente pode levar a morte, mas por outro lado, pode ser chamada de pequenas mortes diárias, pois se morre os desejos, a confiança, a autoestima entre outras perdas.

Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) revelam que o Brasil é o quinto colocado na taxa de feminicídio. Em 2013 do total de feminicídios ocorridos, 33,2% foram efetuados pelos companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

O papel da mulher na sociedade vem sendo construído e modificado historicamente, respondendo a pergunta do título deste texto, a sim o que comemorar e não podemos de forma alguma fechar os olhos mediante a todos os avanços, porém  ao olhar dados como os citados acima, pode-se observar que ainda há muitas transformações a serem conquistadas.

E cabe a quem mudar tais condições?  Cabe principalmente a nós mulheres. E de que forma? Olhando para estes dados, se informando, não se conformando com o papel muitas vezes inferior, que insistem para sermos protagonistas e principalmente NÃO NOS CALANDO. Não nos calando diante da violência, seja ela de quem vier e independente de que forma ela se configurar, não nos conformando diante de qualquer discriminação de gênero, seja em casa, na rua, no ambiente de trabalho ou nas redes sociais. E para que isso aconteça a busca por informação torna-se imprescindível. Termos como feminícidio e empoderamento feminino são essenciais nesta busca, sei que estes nomes podem soar estranhos para algumas pessoas, mas ao contrário do que sempre faço aqui, hoje eu não trarei os significados detalhados dos termos, porque um resumo deles desmereceria todo conteúdo transformador que eles carregam, lembre-se que a busca por informação é uma grande aliada.

Ainda há muito que caminhar, principalmente quando acessamos aos meios de comunicação e vemos vítimas sendo colocadas no papel de culpadas ou comentários de que a roupa, a maneira como uma mulher se comporta definem se ela deve ou não ser estuprada. Há muito que seguir quando precisamos atravessar para o outro lado da rua para evitar olhares e comentário ridículos, quando precisamos apertar o passo mediante a uma rua deserta na presença de um homem estranho. Enquanto situações como estas entre muitas outras se fizerem presentes é um indício do quanto ainda precisamos buscar  incansavelmente o nosso lugar.

Por outro lado, é preciso chamar atenção para a falta de união entre as próprias mulheres em relação a sua condição de gênero, não são somente os homens que colocam as mulheres em condição de culpadas ainda que sejam vítimas, julgamentos como estes em inúmeros casos vem de outras mulheres.

Quando uma criança se machuca, quantas vezes você já ouviu o comentário “Cadê a mãe dessa criança?” Mas porque sempre a mãe?  “Ah, porque mãe é mãe” e neste momento eu pergunto e pai não é pai?  Esta é apenas uma frase de um milhão de falas do cotidiano que reproduzimos muitas vezes sem pensar e que exemplificam de uma forma simples o quanto precisamos discutir sobre os estigmas que perseguem a condição feminina.

Não trata-se somente de respeito a condição de gênero, mas a condição da raça humana, seja ela qual for. Eu poderia ressaltar somente os aspectos positivos em relação ao progresso das mulheres, mas eu optei em trazer dados reais e que nos apontam que a luta continua TODOS OS DIAS.

Um feliz 8 de março!

 

Referências Bibliográficas

BRASIL, Onu Br Nações Unidas do. ONU: Taxa de feminicídios no Brasil é quinta maior do mundo; diretrizes nacionais buscam solução Publicado em 09/04/2016 Atualizado em 12/04/2016. 2016. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/onu-feminicidio-brasil-quinto-maior-mundo-diretrizes-nacionais-buscam-solucao/>. Acesso em: 01 mar. 2018.