Depressão e Suicídio: Nem tudo é o que parece

Depressão e Suicídio: Nem tudo é o que parece

É muito comum que após um caso de suicídio as pessoas apontem a depressão como a principal causa. Entretanto, é interessante notar que alguns aspectos, que rodeiam a relação entre a depressão e o suicídio, sejam desmistificados.

Pesquisas recentes da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam para o crescimento do número de casos de transtorno depressivo. No mundo, considera-se a estimativa de que 50 milhões de pessoas tenham a doença. É preciso deixar claro que nem todas as pessoas que se suicidam estavam desenvolvendo o transtorno, algum tipo
de depressão. Nem todo indivíduo portador do transtorno depressivo irá cometer suicídio.

E qual a relação entre ambos? O que ocorre é que a depressão configura-se como um fator de risco para o suicídio, ou seja, pessoas que estão encarando a doença possuem maior probabilidade de cometer suicídio.

O Transtorno Depressivo Maior, é uma das classificações da depressão, normalmente essa classificação é apontada quando o quadro clínico encontram-se já em um estágio avançado. Os principais sintomas são: estar deprimido na maior parte do dia por um longo período de tempo, insônia, fadiga, ausência de prazer, perda ou ganho de peso, sentimento de desvalia e culpa, dificuldade de concentração. Estas manifestações são parecidas com as outras classificações de depressão, mas sua intensidade e duração costuma ser maior.

Já em crianças e adolescentes é comum o aumento considerável da irritabilidade ao invés da tristeza. O pensamento suicida pode também ser entendido como um sintoma presente na Depressão Maior, sendo registrado em cerca de 40% dos casos.

Outros transtornos da mente podem se configurarem como fator de risco para o suicídio, entre eles o transtorno de personalidade, a dependência química e a esquizofrenia. A ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) revela que 90% dos casos de suicídio envolvem algum tipo de transtorno mental. Já o transtorno Depressivo Maior está presente em 35,8% dos casos em que o suicídio é consumado. Ainda que esteja presente em uma porcentagem significativa dos casos, o Transtorno Depressivo Maior, que resulta em suicídio, normalmente vem acompanhado de outros fatores de risco.

E quais são estes outros fatores? Entre eles estão: o abuso sexual, problemas financeiros, baixa tolerância a frustração, luto, separação, uso de drogas, doenças graves, bullying, baixa rede de apoio social e familiar, entre outros. É necessário que sejam quebrados alguns tabus e mitos acerca da depressão e do suicídio em busca do favorecimento da promoção de saúde.

Tratar o suicídio como um assunto que deve ser evitado, só diminui ainda mais as chances das pessoas que pensam
em acabar com a própria vida buscar ajuda, pois estas sentem-se julgadas e com receio do posicionamento alheio.

Por outro lado, o assunto deve ser abordado de forma responsável e cuidadosa. A nós cabe o acolhimento e a escuta. Apenas 30% das pessoas com depressão procuram ajuda especializada, isso mostra a importância e a responsabilidade do papel de cada um, o qual pode ser informar-se devidamente para realizar uma escuta e um acolhimento coerente e livre de julgamentos.

Pensa-se e fala-se muito no suicídio quando o ato passa a ser concretizado, mas também é preciso discutir o sofrimento, as ideações suicidas. O sofrimento humano também precisa de atenção, para que este não evolua para o ato de interromper a vida. Lembre-se que a prevenção vai ser sempre a melhor saída, o suicídio não deve ser
encarado como uma opção.

Referências Bibliográficas

(APA), American Psychiatric Association (Org.). DSM-5: Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos Mentais. 5. ed. Washington, D.c., Eua: Artmed, 2013.
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para prevenir. 1. ed. Rio de Janeiro: ABP, 2009. [E-Book]. Disponível em: . Acesso em:
20 set. 2016.
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