• Portais do Grupo Hoje Comunicações

Ciúmes: já passou por isso?

O tema de hoje será um assunto muito comum na vida das pessoas: o ciúme. Tal sentimento é algo que pode estar presente no contexto de qualquer um, independente de sexo, etnia ou idade. É parte constituinte da natureza humana.

Na psicologia não existe uma definição unânime acerca do ciúme, cada abordagem vai tratar o assunto de acordo com suas principais referências. Pode ser que, ao ler sobre o assunto, você encontre outras definições, mas aqui será utilizado os pressupostos da Análise de Comportamento, no qual resumidamente a definição de ciúme permeia em torno de uma contraposição do indivíduo que é despertada por uma possível ameaça. A relação com aquilo que ameaça pode ser baseada na dificuldade que a pessoa tem em lidar com ela ou uma possível habilidade maior daquele que é considerado um rival. Ao analisar a questão do ciúme, não é somente o sentimento em si que é considerado, também deve-se considerar a história de vida de cada indivíduo envolvido, a história da relação, o ambiente e o que pode estar reforçando de alguma maneira este tipo de comportamento.

O ciúme baseado em fatos reais é muito comum, porém pode tomar outra proporção, dando origem ao ciúme patológico. Este ocorre de forma desproporcional e irracional, sendo baseado em acontecimentos que não existem, dando origem a incômodos e conflitos que podem atingir todos os envolvidos. O ciúme patológico pode apresentar sintomas de forma exagerada, como preocupação excessiva com a própria aparência, comparação com o possível inimigo, ações de controle, agressividade, ansiedade, depressão, insegurança, aumento do desejo sexual e sintomas físicos como dores do peito e taquicardia.

No entanto, quando o ciúme é desproporcional, não é visto de forma isolada. Pode ser o sintoma de outros quadros patológicos como delírio, TOC (transtorno obsessivo compulsivo), problemas com álcool ou drogas. Especificamente sobre o TOC, a pessoa pode ter como comportamento repetitivo, o hábito de verificar em que lugar o parceiro está, investigar as redes sociais do companheiro a todo instante, entre outras formas de perseguição.

Sentir ciúmes nem sempre está relacionado exclusivamente com o parceiro considerado ciumento, o comportamento de ambos pode influenciar na produção deste tipo de sentimento. Pode ser que diante de uma crise ciumenta do parceiro(a) o outro(a) reafirme seus sentimentos positivos em relação a ele e o enalteça com o objetivo de conter a situação. Porém, é preciso muito cuidado com ações como essas, pois enaltecer o outro e declarar seus sentimentos pode estar automaticamente reforçando o comportamento do parceiro ciumento, dando abertura para que episódios como este ocorram outras vezes. O elogio e a reafirmação dos sentimentos bons do parceiro pode soar como algo positivo e confortante, abrindo caminho para outras crises.

Outro ponto que pode ser reforçador para o comportamento ciumento é ceder à pressão quando esta não faz sentido. O parceiro ciumento pode fazer algumas exigências por conta de seus sentimentos e insegurança. O outro, afim de evitar um conflito maior, ao acatar o que o parceiro pede, contribui para o surgimento de novas crises; quem sente ciúmes aprenderá que toda vez que tiver um “surto” no final seu desejo é o que irá prevalecer.

Se o ciúme for causador de incômodo para um ou para ambos, também serve para alertar que alguns pontos pessoais e da relação precisam ser revistos.

A terapia, tanto de casal quanto individual, pode ser a peça chave de muitas situações. Às vezes o parceiro vítima do ciúme queixa-se do outro, mas não percebe que de alguma forma, mesmo sem querer, contribui para este tipo de comportamento reforçando-o. A psicoterapia também pode ser útil para que a pessoa considerada ciumenta reconheça e admita seus sentimentos. Reconhecer que o ciúme está fora de controle nem sempre é uma tarefa fácil, mas é uma ótima oportunidade para refletir sobre o que de fato está movendo as atitudes que estão prejudicando a relação. Por mais que seja nítido aos olhos dos outros, o ciumento(a) pode não ter a noção clara sobre o que sente e as reais consequências disso. Problemas com a autoestima são grandes aliados aos sentimentos de insegurança e ciúme frente a um relacionamento. É preciso separar o que é real do que não é, o que faz sentido e o que não faz.

Há diferenças muito consideráveis entre os tratamentos, primeiramente é preciso saber de que tipo de ciúmes estamos falando para depois determinar o curso terapêutico.

 

 

Referência Bibliográficas

Banaco, R. A. (2005, maio). Ciúme e inveja. Palestra proferida no I Congresso Brasileiro de Psicologia Clínica e da Saúde. Londrina, PR.

Costa, Nazaré, & Barros, Romariz da Silva. (2010). Ciúme: Uma interpretação analítico-comportamental. Acta Comportamentalia18(1), 135-149. Recuperado em 18 de junho de 2018, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0188-81452010000100007&lng=pt&tlng=pt.

SKINNER. B. F. O papel do meio ambiente.In: Contingências do Reforço. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Ed. Abril. Traduzido do original ingles Contingences of Reinforcement, New Jersey, Prentice Hall, 1969. Cap I, pp 9-27.