Caso Alinne Araújo: A relação entre a internet, o ódio e a depressão

No sábado passado, Alinne Araújo, uma blogueira, ficou ainda mais conhecida em meio à rede social Instagram depois de casar-se com ela mesma. O fato ocorreu após o noivo desistir do casamento no dia anterior, por este motivo, a blogueira veio a público e relatou o ocorrido por meio de suas mídias sociais. Alinne também era conhecida por expor sua convivência com transtorno depressivo e o transtorno de ansiedade.

Após a exposição do ocorrido, imediatamente uma avalanche de comentários foi iniciada, algumas pessoas se solidarizaram com a causa, mas a grande maioria despendeu de comentários negativos, criticando a atitude da realização da cerimônia, em alguns comentários também era possível ver claramente a banalização dos transtornos psíquicos da blogueira. Já pela manhã de segunda feira, era possível algumas pessoas, pedindo que os usuários que estavam destilando comentários negativos, tivessem responsabilidade com as palavras, pois tratava-se de um caso delicado, de uma pessoa que já havia relatado tentar suicídio.

O que precisa ficar muito claro com a triste morte de Alinne é a exatamente a questão da responsabilidade que cada um tem neste caso e em tantos outros que acontece todos os dias. A falta de conhecimento sobre a depressão, faz que com que usuários da internet e destiladores de ódio virtual, coloquem ainda mais em risco a vida de pessoas que possuem não só a depressão, mas muitos outros transtornos da mente.

Muito se falam dos “haters”, mas não se pode esquecer que ao analisar o perfil de pessoas que disseminam palavras de ódio na internet. É possível encontrar uma gama de pessoas com perfis considerados “comuns”, isso mesmo, usuários que aos olhos dos outros não seriam capazes de causar nenhum dano a ninguém.

A sensação de impunidade presente em quem pratica esse tipo de ação, ocorre também pelo fato de que não existe um controle rigoroso e nem uma punição específica para tal, salvo alguns casos em que o perfil é denunciado simultaneamente. Infelizmente, ataques como este estão cada vez mais comuns.

E a pergunta que fica é… O que pode ser feito?

Como profissional eu não me atreveria a falar do caso de Alinne especificamente, pois envolve questões éticas e informações que eu não tenho acesso, mas posso afirmar que muitas vidas poderiam ser salvas todos os dias se as pessoas destilassem mais amor do que ódio, tanto no mundo pessoal, quanto no mundo virtual. Se as pessoas que expõe um problema ao público em sua maioria fossem mais acolhidas do que criticadas, ainda que momentaneamente, muitas vidas poderiam ter outras chances.

Portanto, lembre-se que da responsabilidade e peso que possui um comentário na vida de quem está passando por situações delicadas.  Outra questão que é importante ficar clara, é que pessoas que pensam em suicídio avisam sim, de várias formas e cada caso se difere do outro. O fato de uma pessoa vir a público e expor sua doença ou falar sobre suicídio significa sim que ela quer chamar atenção, mas chamar atenção para algo que está de fato ocorrendo, acho que nos cabe muito mais do que virar as costas ou optar pelo caminho da grande maioria, que é o de destilar comentários negativos. Óbvio que a ideia de uma pessoa tirar a própria privada, não se restringe exclusivamente a ataques virtuais, há elementos extremamente complexos que comportam outras razões, mas os ataques virtuais podem vir como um gatilho para tal ação.

 

Referências Bibliográficas

http://www.scielo.br/pdf/inter/v19n1/1518-7012-inter-19-01-0043.pdf