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As faces da depressão

Popularmente, é muito comum que a depressão seja conhecida pelo viés da tristeza, tal concepção dificulta que pessoas ao redor do portador do transtorno, identifiquem o problema a partir de outros sinais. A tristeza é apenas uma, de muitas outras faces da doença.

Através das redes sociais, é muito comum nos depararmos com perfis de pessoas que levam uma vida aparentemente feliz, por outro lado este mesmo indivíduo pode sofrer com o transtorno depressivo, por isso quando o assunto é depressão, é preciso muita atenção, ela pode estar por trás de diversas faces sorridentes.

Não é de hoje que nos deparamos com reportagens de celebridades com vidas simbolicamente perfeitas e que com o tempo revelam conviver ou já ter convivido com o transtorno, isso é mais um indicio de que a depressão possui muitas formas, podendo manifestar-se de várias maneiras em uma única pessoa.

O comportamento do sujeito portador do transtorno depressivo pode variar, apresentando sintomas parecidos e diferentes entre si, variando desde felicidade fora de contexto até angústia. Contudo, faz-se necessário, esclarecer alguns pontos sobre o transtorno, para que haja mais clareza em termos dos principais sintomas ocasionados pela doença.

Existem algumas classificações para a depressão. Entre elas está a depressão bipolar, neste tipo de depressão, o indivíduo vive entre dois extremos, em um ele pode apresentar episódios de tristeza, isolamento e agressividade, já em outros momentos, pode esboçar sinais de euforia, aceleração de pensamento, desejo sexual aumentado, felicidade desproporcional, disposição fora do comum, entre outras características. Sim, pessoas com depressão também demonstram sinais de felicidade extrema e podem ser consideradas ativas e sociais.

Há também a depressão que é desencadeada por acontecimentos específicos, a chamada depressão circunstancial, ela pode iniciar-se após um acontecimento envolvendo morte de alguém significativo, sobrecarga profissional, pós-trauma, desajuste social este último pode ocorrer em mudanças nas quais o indivíduo tem dificuldades em adaptar-se ou não é aceito socialmente.

Outro ponto importante, é que quando o assunto é transtorno depressivo, não se trata de uma tristeza passageira, e sim de um estado que pode ter grande durabilidade, contendo picos de melhoras, nesses períodos a pessoa pode até mesmo sentir-se e demonstrar-se muito feliz.

Certamente, você já deve ter ouvido falar que depressão é “frescura” ou falta de algo específico, não se engane! Estamos falando de um transtorno sério, o qual é considerado uma das enfermidades mais incapacitantes do mundo e que com todo esse ritmo da vida moderna vem aumentando.

Em termos de tratamento, não basta tratar a depressão por si só, é preciso avaliar a depressão no contexto daquele indivíduo, levando em conta toda a sua singularidade.

 

Referências Bibliográficas

BARBOSA-SILVA, Ana Beatriz. Mentes depressivas: as três dimensões da doença do século. São Paulo: Globo Sa, 2016

 

ESTEVES, Fernanda Cavalcante; GALVAN, Alda Luiza. Depressão numa contextualização contemporânea. Aletheia,  Canoas ,  n. 24, p. 127-135, dez.  2006 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-03942006000300012&lng=pt&nrm=iso>.