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Ansiedade: possíveis causas e tratamentos

A ansiedade tem se tornado uma queixa frequente para os profissionais da saúde. Antes de falar sobre possíveis causas e tratamentos é preciso fazer algumas considerações importantes.

O transtorno de ansiedade, possui sintomas muito parecidos com os de outras doenças, portanto, para que o profissional faça um diagnóstico, é preciso de uma avaliação detalhada e que elimine possibilidades de que alguns sintomas possam estarem associados a outros quadros clínicos ou ao uso substâncias e medicamentos.

SINTOMAS

Os sinais típicos do transtorno de ansiedade segundo o DSM (Manual Diagnóstico e Estatísticos de Transtornos Mentais), gira em torno de preocupações excessivas, descontrole sobre as preocupações, fadiga, inquietação, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular, insônia, sudorese e aumento da velocidade da respiração e batimentos cardíacos. É comum que pessoas portadoras do transtorno ansioso, tenham comportamentos de esquivas de determinadas atividades e prejuízos em um ou em vários âmbitos da vida.

Para um diagnóstico mais seguro, estima-se que seja preciso considerar um período de pelo menos 6 meses de duração dos sintomas. A ansiedade é uma reação comum frente alguns acontecimentos da vida, porém passa a ser considerada como um quadro clínico quando o medo passa e ser desproporcional em relação às situações vivenciadas.

Normalmente, as causas associadas ao transtorno de ansiedade não se apresentam de forma única. Algumas podem ser relacionadas a devidos traumas recentes ou da infância, períodos de estresse e problemas relacionados a autoestima. Recentemente, alguns estudos estão sendo elaborados com o objetivo de verificar a questão do fator genético, mas os resultados ainda precisam ser mais explorados.

Grande parte das questões centrais do desenvolvimento do transtorno de ansiedade, giram em torno de três temas: competência, aceitação e controle.

Em termos de competência, pode-se dizer que pessoas portadoras deste transtorno, acreditam que não são capazes de realizar determinadas tarefas ou que não são merecedores de estar onde estão. No quesito de aceitação, o indivíduo acredita que para atingir a um estado de bem-estar, precisa-se necessariamente da aprovação alheia, uma rejeição externa se configura como uma “terrível” ameaça. Já em relação ao controle, a pessoa acredita que fatores externos possam ter o controle total de sua vida e desejam um controle sobre si que é considerado pouco realista. Tanto a aceitação, quanto a competência e o controle podem em combinação com outros fatores de risco serem possíveis disparadores do transtorno de ansiedade. Algumas linhas de pesquisa, apontam que a ansiedade excessiva pode começar durante a infância, mas uma criança possui dificuldades em pontuar certos sintomas, portanto é comum que a manifestação apareça na adolescência ou vida adulta.

Em relação ao tratamento, este pode variar de acordo com cada caso. Hoje em dia, pode-se contar com o tratamento envolvendo psicoterapia e o uso de medicamentos, este último recurso pode ser receitado somente por profissionais da área médica.

Na área da psicologia, o tratamento varia de acordo com a abordagem de trabalho de cada psicólogo. Algumas ações por parte do paciente tendem a contribuir com a terapia, sendo: grau de motivação, desenvolvimento da auto-observação, entre outros. O paciente é parte ativa no tratamento, portanto o seu grau de motivação tende a contribuir para resultados mais satisfatórios. A auto-observação, é um fator importante, uma vez que ela permite que a pessoa tome conhecimento sobre em quais situações a ansiedade passa a ser excessiva, bem como os sintomas físicos acarretados pelo quadro.

Na abordagem da psicologia Cognitivo Comportamental, uma das direções do trabalho a ser desenvolvido é em torno da avaliação negativa que o paciente faz das situações. Pacientes com transtorno de ansiedade, tendem a ver os fatos por uma perspectiva negativa e ameaçadora. Uma das partes do trabalho psicoterápico, consiste em junto ao paciente analisar à situação não através de estereótipos negativos, mas sim realistas. Pode-se trabalhar também a confiança do indivíduo, de forma a explorar seus pontos negativos e positivos, bem como os recursos disponíveis dentro de sua realidade para lidar com determinados acontecimentos.

É possível contar com alguns testes psicológicos, que são de uso exclusivo dos profissionais de psicologia. Cada teste possui um determinado objetivo, que pode tanto auxiliar no diagnóstico do transtorno, como pontuar o nível de ansiedade como leve, moderado e grave. Os testes não devem ser utilizados como forma única de avaliação, eles precisam estar em uso com outras técnicas para um diagnóstico seguro e completo.

A Terapia Cognitivo Comportamental, também pode trabalhar para alterar as crenças e padrões de pensamentos disfuncionais que agravam o quadro de ansiedade.

Em termos de cuidados gerais, alguns alimentos podem agravar o caso como: o consumo de cafeína, tabaco, álcool, drogas ilícitas, e hábitos de sono inadequados. A psicologia também se utiliza de técnicas de respiração, pessoas que possuem um quadro ansioso, tendem a respirar de forma curta e acelerada, estimulando a hiperventilação. Uma das formas de regulação consiste em inspirar menos e expirar mais, buscando a regular o sistema respiratório. Exercícios de respiração auxiliam para que o indivíduo se volte para o momento presente, já que quem tem o transtorno de ansiedade tende a pensar excessivamente no futuro.

É importante lembrar que os sintomas variam de pessoa para pessoa, assim como o tratamento, nenhuma técnica deve ser utilizada sem uma orientação profissional. A terapia é uma forma de delinear o tratamento de acordo com a rotina de cada paciente. Suas informações pessoais são levadas em conta e junto ao psicólogo é possível pontuar se a ansiedade está ligada a fatores específicos ou é relacionada com fatores gerais. Também é possível fazer um mapeamento de quando começaram os primeiros sinais e possíveis desencadeadores. A ansiedade tem tratamento, quanto mais cedo for a procura por ajuda, menor a chance do aparecimento de novas enfermidades associadas ao transtorno de ansiedade.

 

CASTILLO, Ana Regina GL et al . Transtornos de ansiedade. Rev. Bras. Psiquiatr.,  São Paulo ,  v. 22, supl. 2, p. 20-23,  Dec.  2000 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600006&lng=en&nrm=iso>. access on  08  Mai.  2018.  http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462000000600006.

 

DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.

 

OBELAR, Rosemeri Marques. AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA NOS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE: ESTUDOS BRASILEIROS. 2016. 19 f. Monografia (Especialização) – Curso de Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2016.